Bate-Bapo com Carlos Heitor Cony

escrito por Nubia Silva

fotografias por Cristiano Rolemberg

No dia 05/05/2011 no SESC Vila Mariana aconteceu um bate-papo com o jornalista e literário Carlos Heitor Cony que falou sobre "85 Anos de Vida – Literatura e Jornalismo em Experiência", além de lançar seu livro "Eu aos pedaços".

A apresentação começou as 20h e o autor e jornalista demonstrou bom humor desde o inicio. O bate-papo foi apresentado por Afonso Borges que logo acabou sendo substituído pelos espectadores que fizeram várias perguntas.

Questionado sobre seu talento para escrever Carlos Heitor Cony abriu seu coração dizendo: "Até hoje me pergunto se valeu a pena escrever". Ele mesmo respondeu dizendo achar que não, mas que sempre aceitou as circunstâncias, e as circunstâncias o levaram a escrever. Disse até que se sentirá mais feliz quando não mais escrever.

Tornou-se jornalista por influência de seu pai, um jornalista analfabeto que decidiu se aposentar quando todos da redação ganharam máquinas de escrever para tornar o trabalho mais rápido. Cony se viu na mesma situação, porém, agora era a vez do computador invadir o mundo dos jornalistas e ai, assim como seu pai decidiu parar de escrever, mas com o tempo venceu o medo do computador e o usou para escrever suas histórias dando assim, espaço para o seu dom de escrever.

Cony sempre foi muito polémico, tanto no jornalismo quanto na literatura. Como jornalista, foi preso 6 vezes, sendo 5 prisões ilegais e 1 em que foi condenado a 6 meses e cumpriu 3 meses. Como autor literário quando escrevia não pensava nos outros mas em si mesmo não se importando com o quanto alguém fosse seu amigo, o que ele tivesse que escrever, ele escreveria.

Criou uma biografia chamada "Quase memória" na qual combinou memórias pessoais com crónicas públicas. Nesta biografia, dentro de suas memórias pessoais a personagem principal foi Mila, sua cachorrinha de estimação, a qual ele diz ter sido sua paixão. Por este motivo, no dia em que Mila morreu foi o dia em que Cony colocou o ponto final em seu livro.

Dos anos passados à atualidade Cony comentou de fatos como a morte de Bin Laden e o crescimento dos recursos tecnológicos. Expondo seu ponto de vista sobre o futuro da tecnologia ele disse que tem certeza que o jornal impresso deixará de existir futuramente, dando espaço para meios tecnológicos por causa da rapidez em que a noticia é lançada ao público.

Quem compareceu ao evento pode notar o quanto se fica a vontade com toda a simpatia de Cony, em momento algum ele fez a venda de seu livro, ou tentou convencer o quanto ele era bom no que fazia, muito pelo contrário, ele dizia com todas as letras que seus livros eram vendidos por qualquer outro motivo, menos porque seu trabalho era de fato bom. Enquantos alguns querem "vender seu peixe" Cony fez de tudo para que o dele não fosse vendido. Podemos arriscar a dizer que toda essa ousadia faz muita gente ficar curiosa sobre seus trabalhos, fazendo com que cada vez mais seus livros e publicações sejam vendidos.

Com muito orgulho produzimos jornalismo cultural de qualidade entre 2010 e 2016